Aos catorze anos, Matias Fluss é um adolescente preocupado com três coisas: o sexo, um tio enlouquecido e as fábulas
budistas. Vive com a mãe e a irmã mais velha, Cecilia, numa espécie de ninho onde lambe as feridas da juventude:
a primeira paixão, as dúvidas existenciais, os conflitos de afirmação. Sempre que sente o copo a transbordar, refugia-se
na cabana isolada do tio Elias.
Cedo, contudo, a inocência lhe será arrancada. Ao virar da esquina, encontra-se o golpe
mais duro da sua vida: o desaparecimento súbito de Cecilia que, afundada numa paixão por um homem desconhecido,
é vista pela última vez a saltar de uma ponte.
Muito mais tarde, Matias será obrigado a revisitar a dor, quando a sua pacata vida de professor universitário é interrompida
por uma carta vinda das sombras do passado, lançando a suspeita sobre o que aconteceu realmente à sua
irmã — sem saber ainda que regressar ao passado poderá significar, também, resgatar-se a si mesmo.
No final desta «trilogia dos lugares sem nome», iniciada com O luto de Elias Gro, João Tordo explora, através de
personagens
únicas e universais, numa geografia singular, os temas da memória e do afecto, do amor e da desolação,
da vida terrena e espiritual, procurando aquilo que com mais força nos liga aos outros e a nós próprios.