Emílio-Nelson dá acesso, em seu substancial e inigualável projeto, a um esplendor criativo, poucas vezes lido na atualidade. Conjuga exuberância verbal com uma imaginação grafoplástica concentrada nos planos mais sutilizados da escrita, ao mesmo tempo conduzida por escárnio e escavação de uma erótica, permeada de escatologia e estruturas de agressão (como diria Noel Bürch sobre a força pregnante e provocadora da imagem do cinema, em variados exemplos desde seu surgimento).
Excessivo, exorbitado, esse universo anti-lírico - embora, corteje com apurado desempenho formal variadas e consolidadas dicções - fundamenta-se nos mais arrojados cumes da história do gênero. Capaz de comover e remover, num só ato, pátinas do padrão poetizante quanto mais dialoga com várias tradições e frentes/fontes contemporâneas, J.E-N se revela irrefreável inventor, merecendo ser erguido a uma condição dos mais plenos destaque e desfrute: na liberdade mesmo, indicadora deste termo, consonante com a tópica multívoca, frutífera, aí presente. Ao compasso de uma prodigiosa variação de enfoques/estilos, para ser fruída, difundida largamente.