Em jovem, Dossie Easton adorava ir ao Omni, um bar para omnissexuais, onde podia dançar com pessoas de qualquer género, incluindo trans, com quem aprendeu a ser feminista. A sua tese de pós-graduação, O Sexo é Bom e o Prazer Faz-te Bem, defendia um conceito radical para a época: havendo consentimento, qualquer relação é válida. Janet W. Hardy teve um percurso diferente. Era bissexual, o que tanto fazia revirar olhos na heterolândia como na gaylândia. Viveu um casamento heterossexual e monogâmico, e levou mais de uma década a aceitar-se como era. Há dias em que gosto de usar batom vermelho e joias, outros calças de homem e camisas Oxford, diz, hoje, orgulhosa.
As duas especialistas em liberdade sexual uniram-se para escrever A Puta Ética, um guia prático do amor alternativo, originalmente publicado em 1992, e entretanto completamente revisto e atualizado. Nele contam as suas histórias e as de outros como a da amiga que teve o primeiro orgasmo aos 34 anos, quando descobriu que a masturbação não era perigosa, ou a do casal que negociou interromper a monogamia duas vezes por mês.
Considerada a Bíblia do poliamor, esta obra intemporal tem também um lado didático, com exercícios para praticar a putaria ética e conselhos sobre sexo seguro, resolver conflitos, criar filhos ou lidar com os ciúmes. Ensina, em suma, a ter relações felizes, seja assexual (é uma orientação como outra qualquer), fã de sexo em grupo (com as suas regras de etiqueta) ou monogâmico (sim, a monogamia também é elogiada). O segredo, mostram as autoras, está em saber comunicar, com honestidade, o que sente e o que quer.