Zarah Ghahramani cresceu num agradável subúrbio
de Teerão. Educada no seio de uma família liberal,
desde sempre lhe foi incutida a noção de que a
educação era tão importante para os rapazes como
para as raparigas e, tal como as jovens adolescentes
de todo o mundo - mesmo sendo obrigada a cumprir
as regras severas do regime de Khomeini, como
vestir-se com cores discretas e cobrir o cabelo -, tinha
ambições e projectos.
Foi com um entusiasmo juvenil e motivada por uma
paixoneta que Zarah se juntou ao movimento estudantil:
como toda a gente, sentia uma enorme adoração e
respeito por Arash, o estudante activista que liderava
os protestos. No entanto, o seu envolvimento teve
graves consequências e foi apanhada um dia no meio
da rua, atirada para dentro de um carro e levada para
a prisão mais famosa de Teerão: Evin. O seu lar passou
a ser uma cela exígua e sem janelas, mas era o único
refúgio contra os seus dois interrogadores: um deles
desprezível e rude, o outro mais brando, aparentemente
mais civilizado, mas igualmente implacável. Dia após
dia foi humilhada, espancada e até os longos cabelos
lhe foram rapados. Sem qualquer espécie de ânimo ou
coragem, a única coisa que queria era morrer.
Em Acusada de Traição, Zarah conta-nos a sua terrível
experiência e as provações por que passou. Descreve o
modo como este encarceramento destruiu a jovem ingénua
de dezanove anos, dando lugar a uma mulher de coragem
e determinação. Um testemunho poderoso que nos permite
perceber o que é viver sob um regime opressivo.