Vicente Verdú, um dos mais agudos investigadores dos fenómenos contemporâneos, oferece-nos não apenas o seu melhor livro, mas uma das análises mais precisas e audazes do nosso tempo, isto é, a época do "capitalismo de ficção", um conceito inédito, germinal e extraordinariamente fecundo.
As interpretações da actualidade provêm, muitas vezes, de aproximações sectoriais e estanques, mas o mais revelador e interessante consiste em conjugar os avatares da economia e do sexo, da biogenética e da arte, da política e da cosmética ou do pensamento e da televisão, para dilucidar o estilo geral do mundo.
O valor deste livro é, portanto, procurar um conjunto de noções diagonais que, cruzadas entre si, ajudem a perceber a rede sobre a qual é tecida a nossa época. O capitalismo anterior apresentava-se como localizável e diferenciado, mas o actual tornou-se uma natureza transparente, difícil de isolar e de contrariar. O capitalismo de produção era triste, o capitalismo de consumo era trivial, mas o capitalismo de ficção é matreiro, aldrabão. O capitalismo procurava, no passado, ganhar a qualquer preço, mas o capitalismo de ficção aspira especialmente a agradar. O objectivo fundamental deste capitalismo não é a produção de bens mas, acima de tudo, a produção de realidade. Uma segunda realidade, ou realidade de ficção, mais infantil, antitrágica e simples, expurgada de sentido e de destino, transformada em resguardo e em cultura da distracção.