O Bom Ladrão
Conhecer certas vidas é tal e qual como ler o Evangelho. Assim acontece com o irmão Grégoire, um homem que tinha - diz que mo conheceu - «qualquer coisa da infância recuperada que Jesus Cristo diz ser condição obrigatória para entrar no Reino de Deus.
Mas isso nem sempre foi evidente. Antes de ser inesperadamente chamado a assumir uma vida de clausura como irmão Grégoire, percorrendo a fantástica e tantas vezes insondável senda da conversão, Jean Bernier foi por diversas vezes obrigado a passar por uma outra experiência bem diversa de vida recatada: a da prisão, onde expiou as culpas do seu passado de vagabundo, ladrão e proxeneta. E foram vários os estabelecimentos prisionais onde esteve detido, entre os quais um dos mais rigorosos e mais severos, o da ilha de Ré, onde Deus o chamou a uma outra vida e obteve uma resposta surpreendente.
O que esta interessantíssima biografia nos propõe é que refaçamos essa trajectória de alguém a quem foi concedida a extraordinária graça da infância de que fala Cristo no Evangelho, uma graça que identificamos como o segredo e a chave desta vida que Deus abençoou com uma riqueza invulgar.
«Não se pode ficar indiferente ao rumo de uma existência como esta. A oração foi, de uma ponta à outra, o seu acólito. Assim que chegou a Santa Maria, Grégoire aventurou-se a perguntar de forma ingénua: "E eu, será que me posso tornar monge?". E tornou-se, mas sem perder a humildade para que remetia a recordação dos seus primeiros e intermináveis anos. O seu comportamento nada devia ao do fariseu, Grégoire sabia-se publicano (cf. Lc 18, 9-14). Amado por Deus, tinha disso experiência suficiente. No fim de contas, este monge era um «fanático por Jesus Cristo» que não tinha outro nome a proclamar que não fosse o do seu Senhor. O Seu patrono, para rematar, era o santo sem nome que, do alto de uma cruz, se aventurou a dizer: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino» (cf. Lc 23, 42). Esse primou sobre todos os outros. E era um ladrão!»
O facto de se tratar de uma história verídica, confere à obra um carácter especial, tendo o autor conhecido e acompanhado o protagonista, Jean Bernier/Irmão Grégoire, nos últimos meses antes deste morrer.