O Silêncio Perpetua os Espaços
[...] A sua escrita é o desfragmentar do Ser - emoção e acção - que se reinventa em cada palavra para se
erguer na construção silábica, a Sua.
Uma procura pela luz, como apaziguadora de uma constante procura de si, pelos outros que passam…
para escapar a uma massificação que o sufoca, permitindo-se uma Religiosidade latente e uma Liberdade
que assenta na Democracia como premissa de Vida.
Como diz o Poeta, o Espírito é o que revelamos ao mundo, a forma como a nossa Alma transparece,
sendo esta o ideal de perfeição a que aspiramos, guardando-a em nós, e que acrescento, afirmando que
construída por memórias do que somos… tal em Santo Agostinho que da cópula da Vida - ente e mundo
- encerramos na memória os afectos, experienciando-os na Alma, numa permanente recordação, em
gozo e êxtase, sendo o Espírito a Memória!
[...] Assim, quando o lemos, a permanência é real porque essas memórias, emoções no quotidiano passado e
presente, não se recordam ou revolvem, antes estão! Existem, vivem e revivem em cada palavra, em
cada metáfora, em cada alegoria!
E sempre…
Pela compaixão de enfermos infantes,
Férreo é o gesto, que refreia horizontes,
Esculpindo a porfia na pedra do olhar,
Fecunda tormenta, perene sonhar!...
… esta busca pela ideia original de uma religiosidade que assenta na Fraternidade, rumo à Felicidade a
que aspira, qual Homem do Mar que enfrenta a tormenta, desafia a lonjura e ama o para além, talvez de
mim, de nós…
Esta enigmática prática poética que se insurge contra a monotonia e a desordem instalada, contra a
injustiça e o esquecimento, é, para mim, inspirada por um dos momentos de amor e cumplicidade de
Zeus com Mnemosine, quiçá do qual Erato, musa virgem, aparece neste livro em cuja lira se ouve o eco
do Poeta, Espírito, e de cada rosa, da sua coroa, exalam perfumes de memórias, Alma, que nos
reclamam.
Do Prefácio de J. M. Vieira Duque