Ambiente - Uma Questão Ética
A aldeia global em que vivemos oferece-nos,
quase todos os dias, o espectáculo trágico de
um imparável cortejo de múltiplas catástrofes.
Ainda assim, a desflorestação prossegue, a erosão
dos solos aumenta, o ar e as águas apresentam
níveis de poluição crescentes, a biodiversidade
diminui dia após dia, o número de espécies
extintas ou em vias de extinção engrossa
dramaticamente, as alterações climáticas induzidas
pela pressão antropogénica colocam em
risco a vida na Terra.
Os jornais e a televisão dizem-nos que enquanto
milhões de pessoas morrem à fome todos os
anos, no lado rico do planeta biliões de animais
são mortos em cada dia, para serem transformados
em bifes, peles, adornos, medicamentos,
cobaias. E que grandes extensões de florestas
virgens são destruídas diariamente para construir
estradas, vias-férreas, complexos industriais e
obter matérias primas. No ponto em que as
coisas estão, um simples abanar da cabeça, ou
uma interjeição pontual de irritação é pouco. O
que se passa em redor é claramente errado e
imoral. Por isso, o nada fazer não será também
pouco moral?
O que este livro procura mostrar é que a actual crise do humano é, em essência, uma
crise de valores que está intimamente ligada ao modo com o Homem se relaciona com o
seu mundo natural. Neste sentido, o livro defende que a crise ambiental é também, por
isso, a crise do humano, procurando mostrar que o respeito e a consideração por essa
terra que dá a vida, é condição fundamental para o respeito e para o equilíbrio do ser
humano consigo mesmo. É urgente repensar a relação do homem com o seu mundo em
termos de valores como respeito, sabedoria, prudência e responsabilidade.