A Inteligência Artificial e a arte de contar histórias
Em 1953, Roald Dahl, num dos seus Contos do Imprevisto, dá vida ao Great Automatic Grammatizator, uma máquina capaz de escrever, em 15 minutos, romances vencedores de prémios, com base nas obras de autores vivos. Hoje, a realidade — como aliás já nos habituou — ri-se, desafiadora, na cara da ficção, suplantando-a tantas vezes. Poderá um computador compor uma sinfonia, escrever um romance premiado ou pintar uma obra-prima? E, nesse caso, seríamos capazes de perceber que a criação se deve a uma máquina? Estaremos nós a colocar em marcha algo que não conseguimos controlar? É talvez com mais dúvidas do que certezas que ficamos quando falamos de Inteligência Artificial (IA). O Código da Criatividade (Temas e Debates), de Marcus du Sautoy, propõe-nos uma viagem fascinante ao mundo das máquinas criativas. Fomos desbravar o capítulo sobre a criação literária, deste livro que é (e deve ser) de digestão lenta.