Novas Representações da Vida em Biologia e Filosofia ao Ser Vivo
Mais concretamente, o espírito deste volume consiste em partir da apresentação da imbricação vida-morte ao nível celular, e em
integrar, quando necessário, a tecnicidade do vocabulário, das ferramentas e dos modelos da biologia da apoptose, a fim de tornar
possível o espaço intelectual onde se possa forjar um olhar interdisciplinar sobre estas relações vida-morte. Um primeiro conjunto
de textos propõe uma perspetiva bastante ampla: biológica, epistemológica, metabiológica. Um segundo conjunto de textos
estabelece o diálogo filosofia da vida/biologia da apoptose a partir de alguns filósofos, vistos como possíveis candidatos a uma
abordagem transdisciplinar do par vida-morte. Esta fase foi animada por uma questão de fundo: poderá haver discussão entre a
biologia da apoptose e propostas que dizem respeito a uma filosofia da vida/do ser vivo? Com efeito, poder-se-á dizer que, de
Leibniz (Jean Roland) a Heidegger e Jonas (Éric Pommier), de Simondon (Jean-Hugues Barthélémy) a Deleuze (Jean-Yves
Heurtebise) e a Frédéric Worms, há conceptualizações filosóficas da vida e do ser vivo suscetíveis de compreender, ou mesmo
eventualmente de retroagir e de interrogar o vocabulário da morte celular «programada», na medida em que este suscita uma nova
representação do ser vivo? Nesta segunda fase, os autores estenderam a mão na direção da teologia com uma comunicação de
Éric Charmetant sobre as modalidades de comparação entre os conceitos vida-morte da teologia cristã e os conceitos propostos
por Jean Claude Ameisen em La sculpture du vivant a partir da biologia celular, nomeadamente na sua interpretação da passagem
de Génesis 2-3 sobre os efeitos do fruto da árvore da vida e sobre as consequências do facto de o pecado original impedir a Adão e
Eva o acesso a estes frutos. Numa terceira fase reflete, já não tanto a partir de discursos produzidos por epistemólogos, filósofos
ou mesmo teólogos, mas a partir de trabalhos de investigadores em biologia e biomedicina: Georges Chapouthier, Pascal Nouvel,
Michael Azagury. Estes colaboradores debruçaram-se de uma forma diferente, e mais geral, sobre os fenómenos de iniciação e
suspensão da morte celular, q ue bem conhecem. E que dizem eles: confirmam, matizam ou contrariam a ideia de que estas
investigações pressupõem e produzem hoje, diante dos nossos olhos, uma «nova representação da vida»?