Este livro tenta observar a relação entre "Apresentação do Rosto" (1968) e "Photomaton & Vox" (1979), para se poder "Ver a Voz e Ler o Rosto" que nesse movimento de reescrita se revelam. Colecção de textos autobiográficos, metatextos (prefácios a livros seus), textos de poética (de figuração do autor), textos ecfrásticos (sobre exposições de fotografia ou de escultura, por exemplo) e textos críticos sobre outros autores, de entre a diversidade de registos que podem ser encontrados em "Photomaton & Vox" detenhamos-nos (em volta de) um retrato do autor enquanto figura de escrita e de leitura.
Aqui, como num filme, a película (a palavra) é projectada na tela (na página), único suporte que permite materializar o filme (a escrita). Esta é uma aporia, pois o processo de escrita - como o filme - só existe enquanto é projectado (e não imóvel no suporte que fixa a escrita e o filme, o papel, a película).
Porque se trata de uma experiência (transitória), de um processo que se simula não poder ser repetido, "Ver a voz, Ler o rosto - uma polaróide de Herberto Helder" tenta, no percurso entre a desaparição do rosto e a revelação da voz, ler esta figura em movimento - o filme de um autor em processo da sua representação, em auto-retrato - e sobre ela operar uma (im)possível polaróide.