Entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Não se mudam mentalidades por decreto. Este é um argumento comum para sinalizar que a transformação jurídica não assegura, por si só, mudanças sociais ou políticas. Se é certo que a distância entre a lei escrita e a prática da lei constitui um fosso que destitui setores vulneráveis do recurso à reivindicação — já está na lei, afinal, que mais querem? —, está também amplamente comprovado que, na ausência de um respaldo jurídico, o caminho para o autoritarismo, e, a montante, para formas mais ou menos prosaicas de menorização, discriminação, abuso e demais formas de violência, se agiganta, sem obstáculos formais que reponham a justiça e a dignidade.