Há laços que se devem cortar para que outros ¿ como aqueles que o afeto constrói ¿ nunca
se cortem. Esta história emotiva tanto na prosa lírica de Arturo Abad, como nas sugestivas
ilustrações de Joanna Concejo põe a tónica no quão doloroso pode ser deixar partir as
pessoas de quem gostamos.
Partir e deixar partir nada tem a ver com deixar de amar. Arturo Abad coloca o leitor dos dois
lados do espelho e oferece uma visão equânime da situação. Deste modo, comove por igual,
tanto com a tristeza que gera a falta de liberdade ao boneco de cedro Zimbro, como com a
aflição que provoca ao Marionetista a partida de quem estima como um filho e que desejaria
que permanecesse sempre ao seu lado.
É fácil compreender a frustração e a apatia de Zimbro face à sua vida atual: carente de
autonomia e de independência. As possibilidades de deslocação e de conhecimento estão
limitadas pelos fios e pelo manuseamento que o Marionetista faz deles. Isto impede-o de
desfrutar plenamente do seu particular microcosmos e de conhecer lugares, gente nova e
poder experimentar por si próprio.