O terrorismo islamista é, pelas piores razões, uma forma de violência massificada que não tem paralelo na história, tanto mais que a probabilidade de utilização de armas de destruição massiva não depende doravante do cálculo racional ou da lógica política mas da simples capacidade técnica. O islamismo político - as suas variantes moderada e violenta são irmãs siamesas - constitui uma séria ameaça para o Ocidente.
Porém, é essencial não esquecer que os intelectuais, políticos, cientistas, governantes e Estados do Oriente favoráveis à modernidade são igualmente alvos designados dos loucos de Deus. Demonstram-no as muitas dezenas de milhar de muçulmanos assassinados nos últimos anos pelos islamistas, da Argélia ao Irão. (…) A juventude do continente africano e a aparição de autênticos filósofos africanos, cujo crescimento é exponencial numa região que será, dentro de algumas décadas, a mais populosa e jovem do mundo (2 mil milhões de habitantes antes do fim de século XXI, mais numerosa do que a China ou a Índia), abrirá caminho a uma nova modernidade, que não poderá deixar de favorecer a própria universalidade dos valores e a eficácia dos princípios.