Desde que o Índex foi descontinuado, não houve papa que não louvasse os livros e a leitura. Poucos, porém, terão, como Francisco, refletido de forma tão sustentada sobre a centralidade do contacto com a palavra escrita para a conformação moral e espiritual do crente a Jesus, que, famosamente, «não consta que tivesse biblioteca» (Pessoa).
Nos textos aqui oportunamente recolhidos por Antonio Spadaro, o Papa fala não apenas dos autores e obras que o influenciaram, modelando a sua sensibilidade, mas também, e sobretudo, da necessidade de aprender da poesia a liberdade no olhar, a atenção ao detalhe e a capacidade de integrar as tensões.
A literatura aparece como escola da alma, abrindo o coração ao mundo e indomesticando a imaginação - um tirocínio, em certo sentido, no estilo de Francisco, como o leitor destas páginas vai, com um sorriso, intuindo.