Uma História Interminável é um conto infantil composto por várias pequenas histórias encadeadas. Cada capítulo apresenta uma nova personagem, quase sempre um animal com uma diferença, limitação, medo ou problema de identidade. Essas personagens juntam-se progressivamente a um grupo que aprende a sobreviver através da cooperação, da amizade e da aceitação mútua.
A narrativa começa com Faragira, uma girafa de pescoço curto, excluída por ser diferente e incapaz de alcançar as folhas mais altas. Encontra Fantela, um elefante grande mas dominado pelo medo de formigas e ratos. Depois de um primeiro contacto pouco simpático, os dois descobrem que podem ajudar-se: Fantela alcança as folhas para Faragira e Faragira protege Fantela dos pequenos seres que o aterrorizam.
Ao grupo junta-se Formipapa, um papa-formigas quase cego e quase surdo, que transforma aquilo que parecia estranho ou desagradável numa utilidade para todos. Depois surge Bajula, um leão sem juba que, apesar da sua diferença, assume o papel de líder. Mais tarde aparece Arriscado, um tigre que perde as riscas e entra em crise por deixar de se reconhecer como tigre. O grupo acolhe-o, mostrando que a identidade não depende apenas da aparência.
A história continua com a chegada de muitas outras personagens: Mitsa, o gato assustado; Cacamau, o macaco tagarela e malcheiroso; Rapaca, o porco-da-Índia que nem é porco nem é da Índia; Superfast, o caracol de carapaça partida; Rhinoe Chi-rá, um rinoceronte e uma chita em conflito; Vaky, a toupeira cega; Crocs, o crocodilo sem dentes; Smartins, o sapo irritante; Picanço, o ouriço-cacheiro pisado por todos; Babu, o burro das histórias infantis; Canja, o galo que foge ao destino de virar sopa; e vários outros animais que entram nesta comunidade improvável.
No conjunto, as histórias abordam temas como o medo, a exclusão, a deficiência, a diferença física, a falta de amor-próprio, os preconceitos, os conflitos de convivência, a liderança, a solidariedade e a entreajuda. A própria capa sintetiza bem esta estrutura: cada capítulo encerra uma pequena história que se integra numa outra maior, «universal», com intenções morais e personagens que representam fragilidades humanas através de animais.
Em termos simples, pode dizer-se que o livro conta a formação de uma comunidade de seres imperfeitos, todos diferentes, todos com alguma vulnerabilidade, mas que descobrem que essas fragilidades podem tornar-se forças quando são reconhecidas, respeitadas e colocadas ao serviço dos outros.