Um despertador toca numas águas-furtadas de Paris; um jovem permanece deitado, indiferente à cidade que acorda e ao exame que o esperava nesse dia.
Um Homem que Dorme (1967) é a história de uma criatura que decide, convictamente, não mexer uma palha, cruzar os braços perante a vida, ser alheio ao «banho de obrigações sem fim, ao melífluo terror que pretende controlar todos os dias, todas as horas, da diminuta existência».
Parente do escrivão Bartleby e de Oblomov, acompanhamo-lo a vaguear entre a multidão das grandes avenidas, nos cinemas e nos cafés costumeiros, em busca de um ansiado apagamento.
Escrita aos trinta anos por Georges Perec, esta novela existencialista sobre um «fantasma transparente» em fuga do mundo continua a interpelar e a arrastar consigo os leitores numa tentativa de evasão.