Há um século, aqueles que sabiam ler sabiam também
situar-se no espaço e no tempo. Hoje, já não é assim.
Todos os ocidentais se transformaram, na sua grande
maioria, em homens sem passado, sem memória. Por
um irónico paradoxo, nunca se falou tanto do «dever
de memória» como nestes tempos de esquecimento,
porque é bem sabido que só se insiste numa qualidade
quando esta está esquecida. Juntemos a isto um
desprezo mercantilista pelo longo prazo e o culto do
imediatismo, e compreenderemos que a nossa
modernidade fabrica mais consumidores e praticantes
do zapping intermutáveis e de «filhos da publicidade»
do que cidadãos responsáveis, desejosos de
compreender e de construir.
Será possível entender a actualidade sem referências
históricas, estando, como estão sempre, os
acontecimentos mais actuais enraizados no longo
prazo? Como situar, por exemplo as guerras do Iraque
sem jamais ter ouvido falar da Mesopotâmia? As
imagens chocam-nos sem nos envolverem. Vemos
tudo, em tempo real, em directo, mas não
compreendemos nada.
Eis, pois, um resumo da história da humanidade;
rudimentar, mas cheio de abordagens surpreendentes e
questões impertinentes; conto verídico no qual o leitor
poderá encontrar interpretações de factos que não são
discutíveis. Destina-se a ser lido por todos,
especialmente aqueles que sabem que devem procurar
na História a explicação para muitos dos
acontecimentos que vivemos no dia a dia.