O tempo é de facto intemporal, lembra-nos a poetisa Maria La-Salete Sá com o título dado a esta obra poética. Intemporal, porque apenas se pode calcular o seu princípio (o Big Bang?) e o seu fim (o fim do Universo?). Apenas calcular, não situar temporalmente num qualquer calendário. Assim, só percecionado pela medida finita do ser humano é que podemos pensar no tempo como uma medida com princípio e fim, medida que começa em nós, quando nascemos, e para nós também acaba um dia.
E a poesia, é intemporal? Certamente, não como o tempo, mas, sim, pode ultrapassar a finitude de quem a faz. Quando lemos Pessoa ou Sophia, estamos a beneficiar desse carácter intemporal da poesia, melhor dizendo, da literatura, ou, ainda melhor, da arte em geral.
Sim, nem toda a arte / literatura / poesia alcança a intemporalidade. Nunca o seu autor o sabe quando a cria. Mas pode sabe-lo durante o seu tempo de vida. Pessoa não o soube. Sophia, sim, pôde perceber que seria assim com a sua literatura. Cremos que este Tempo Intemporal poderá, um dia, abrir a porta do tempo…