O Teatro Moderno de Lisboa (1961-1965), no seu curto, mas marcante,
percurso, foi a obra corajosa e inovadora de actores e demais gente de
teatro que soube tomar o futuro em suas mãos, constituindo uma
sociedade artística para fazer o Teatro de que gostavam e achavam
necessário. Tarefa bem difícil num Portugal do início da década de 60
em que a contestação político-cultural à ditadura do Estado Novo se
tornara mais forte e constante e em que a repressão da Censura oficial,
sempre vigilante para com as manifestações artísticas heterodoxas, se
fazia sentir de uma forma asfixiante.
Devido à sua acção, princípios fundamentais e prática, o TML lançaria
as sementes do riquíssimo movimento dos Grupos de Teatro
Independentes, tendo iniciado o caminho de um Teatro interventivo
e actual que estes, mais tarde, se encarregaram de continuar.
O que este livro, fruto de dois anos de pesquisa, pretende, na sua
peculiaridade, mostrar.