«São crónicas, senhor, são crónicas, que sendo muito materialistas (não é aquele significado, é o outro) operam pequenos milagres de não subservir (será que existe?!) o pensamento dominante, que alguns querem único, de abordar o incómodo, de levar à reflexão (e para outros, compreende-se, à rejeição), de olhar o rei que vai nu. Mas, sempre, de deixar o convite à percepção que lá vêm novos carreiros e que, se não os percepcionamos, podemos sempre dizer, por liberdade de escolha, não vou por aí. Afinal, são crónicas que, abordando temáticas diferenciadas, têm linhas condutoras comuns que as impregnam de uma coerência ideológica (nos vários sentidos do termo) que se saúda, sobretudo, em tempos em que as vozes dos donos e/ou as/os (uma pitada de igualdade de género) troca-tintas são celebrados; que as fazem emanar um subtil humor português ou uma frontalidade que desconforta alguns ou uma ironia apropriada ao momento, mas nunca um micterismo impróprio.»
Carlos Pinto de Sá, do Prefácio