O trajecto editorial do quinzenário "Sol Nascente" (1937-1940) representa a transição da cultura republicana e anarquista, dominante nos meios oposicionistas da década de 1930, para a orientação política e cultural marxista, que irrompe, nas suas páginas, de forma vigorosa.
Criado e dirigido por estudantes universitários portuenses que se opunham à ordem política vigente e se sentiam unidos pela esperança num mundo novo, "Sol Nascente" começou por ser uma revista de orientação explicitamente ecléctica. Reuniu, então, artigos de intelectuais consagrados - com destaque para Abel Salazar - e colaborações de autores jovens, sempre com grande variedade de opinião e de sensibilidade.
Quando, mais tarde, a redacção foi entregue a universitários conimbricences, o quinzenário perdeu o tom diversificado e converteu-se em órgão teórico e doutrinário marxista e leninista.
Nenhuma outra fonte - nem mesmo "O Diabo", menos doutrinário e mais disperso - permite aceder, de forma tão completa e sistemática, ao pensamento da geração que se formou nos anos da Guerra Civil de Espanha e que passou a dominar a vida política e cultural oposicionista. "Sol Nascente" merece, pois, como outras revistas de ideias que fizeram o pensamento português contemporâneo, que a sua história seja elaborada.