Se as palavras fossem prescindíveis. No fundo, na superfície, o poema é a fugida, a cambalhota a procura do além. escrevo para rebentar o tempo pelas costuras, como quem pega na vida arrastada do passado, borborigma até parir dias como gomos. Se o mundo fosse um fundo de oceano atravessado de uma lentidão que torne tudo tacto, líquido acariciando ombros, ondeantes os cabelos e os gestos. Mole, afinal de contas.