«Em um primeiro movimento, partimos da impressão de que Demétrio Panarotto convida-nos a conhecer sua poesia no improviso, quase que no susto, sem bastidores ou repetições, enfim, sem ensaio. Um gesto que pode ser encarado como uma recuperação e uma reativação da estratégia - guerrilheira - do Cinema Novo brasileiro, uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Sem dinheiro, sem roteiro, sem produção, sem ensaio.
Aos poucos, porém, ao reunir indícios e piscadelas que Demétrio oferece-nos ao longo da leitura, percebemos a malícia de um convite muito bem ensaiado. Um convite à viagem, ao travelling. Ou ainda, um convite a desfazer a viagem. Um convite a desfazer a travessia, seja ela a travessia de Xenofontes, o grego, em seu barco de areia, a travessia do atlântico que trouxe a lusofonia às terras brasilis, a travessia de Glauber Rocha pelo sertão, a travessia de Blaise Cendars na poesia moderna brasileira, ou mesmo a travessia euclidiana na descoberta dos sertões. Aos poucos vamos a descobrir, sem ensaio, a vida como ela é.»
(Do prefácio de Fernando Floriani Petry, Prof. de literatura, cultura e língua lusófonas - Université Lumière Lyon 2, França)