De uma mensagem de Pedro Tamen (Fevereiro de 2002): «Recebi o seu manuscrito e ao princípio nem liguei o nome à pessoa [...] e só ontem, depois de ler [...] identifiquei o autor, que não imaginava a escrever poesia [...]. Ora a verdade é que o seu livro me impressionou muito, deixando-me ao mesmo tempo bastante intrigado. É que há nele — imagine! — uma originalidade fundamental, básica, que lhe vem precisamente [...] de não parecer original. A sua poesia tem um relento de «traduzido de...» que cria no leitor um dépaysement que o desorienta [...] Porque, apesar de usar tantas vezes formas tradicionais e portuguesíssimas, como que as desconchava, as desconstrói, as torna procuradas e não achadas [...] uma inesperadíssima sabedoria».
Deixo aqui, à mão plantadas, | suando seiva, lançando cheiro, | ideias avulsas, ritmadas, | que o dia-a-dia semeou; | florescidas, arrumadas | sem prévio plano, ou pose | que as arranque do seu canteiro.