«Há vidas que parecem seguir o curso natural das coisas: a casa, a família, o trabalho, a continuidade. Outras avançam como que por dentro de um silêncio antigo, onde o desejo e a vontade nem sempre coincidem com o que o mundo espera. Sérgio é um desses seres que carregam o tempo nas mãos — herdeiro de uma história familiar que o moldou sem lhe perguntar quem queria ser.
Entre o peso da memória e a necessidade de se reinventar, ele caminha em busca de um sentido possível para a própria existência. A sua jornada cruza-se, à distância, com a de Zeca e dos que sobrevivem à margem — homens e mulheres invisíveis, que também procuram o que resta de dignidade, afeto e pertença.
Neste livro, passado e presente entrelaçam-se como fios de teia fina, revelando afetos desfeitos, vínculos frágeis e pequenas epifanias que, por vezes, são tudo o que temos para continuar. Aqui, o amor nem sempre salva, mas ilumina; a dor não destrói, mas transforma; e cada gesto humano guarda um eco de resistência.
Uma narrativa sobre o que herdamos, o que perdemos e aquilo que ainda somos capazes de salvar — de nós mesmos e dos outros.»
Nota de editora