Paulo M. Ferreira, nasceu em Setúbal de mãe francesa e de pai português, 1963. Licenciado (1987) e mestre em Direito (1998). Técnico Superior na Procuradoria-geral da República.
Redempção vem após os Desharmonias, por conta de autor em 2020 e em 2021. Já tinha publicado, como catarse, "L'Amour aveugle ou les grandes heures d'Arcachouvas sous le règne du Marquis de Grimolas", 2004, Bénévent, França. A vida encontrou-se comigo na oportunidade sentimental quanto à catarse. O encontro não aconteceu, impedido, eventualmente com danos pessoais. Estes danos repercutem-se na minha vida, embora incólume, e geram estas publicações, necessidade urgente de exprimir disponibilidade, dizer que estou aqui e abrir os braços a esta Mulher que se entregou por mim em contexto de excecional dificuldade.
O que não se fez em primeira oportunidade, virá certamente a ser possível, assim o espero e desejo, de modo mais feliz, apesar dos custos pessoais impostos a uma mulher frágil.
Pela carga discriminatória e de exclusão neste encontro ora fracassado, mas só provisoriamente, assim o espero, existe interesse coletivo em autorizar a reparação, abrindo as portas à feliz reunião. Ainda assim, assumir uma causa geral apesar da sua importância, é tarefa grande demais. Fica a consciência da inserção do objeto destes livros redigidos para esta extraordinária Mulher na sua entrega, honestidade (pode ter me evitado o pior) e verdade, num propósito maior, de inclusão e de paz e estabilidade, na democracia e no direito (vendo-o como o que protege). No fundo, a ideia de a democracia permitir alguma indisciplina, indispensável à própria vivência juntos.
É tempo de reparar, sarar, curar, cicatrizar; assumindo a dor, saber perdoar e pedir perdão. É a hora de exigir a paz.
Pintura e desenho são a minha primeira vocação. De onde ter feito as imagens, desenhos, aguarelas, fotografias (existe correlação no visual entre o que a mão capta, seja com lápis ou pincel, seja por outro meio: uma máquina fotográfica).
Esta articulação introduz o resto. Visão (ainda que um cego toque música) e audição estão ligadas. Não é por acaso que "tonalidade" e "cromatismos" invadiram a música. Não se trata só de ler partituras, trata se de uma visão geométrica, a convocar não apenas perspetivas que a permitem entender e às suas relações sonoras: além destas está a poiesis aristotélica, com o lugar que a beleza merece, mas também a compaixão, a dor do ser solidário, a urgência em reparar sem pena, com plena consciência do valor que uma pessoa a merecer a Pathema convoca. Esta Pathema fica e se supera na aquisição, pela entrega quotidiana, do amor. E isto é o regresso ao tema da Mulher que sofreu e que me evitou o pior.
Na música continuo amante do Bach. E da voz, pois esta me fascina. A vida e o confinamento apesar da sua carga de infelicidade, e de um luto em relação a um mestre e amigo, além de levarem a esta urgência, abriram a via a novos instrumentos. Além, da voz (não sabendo escrever para esta), alarguei o meu leque instrumental, da guitarra portuguesa, ao violino, à violeta (a v. de arco), às flautas de bisel, ao bandolim, e, embora não aqui, ao piano e ao violoncelo. Não pretendo tocar bem estes instrumentos, embora gostasse, e as partituras terão as suas insuficiências. Mas se alguém fizer alguma música com elas e se conseguir lhes apor a voz, terei alcançado o meu propósito. Oxalá.
O meu agradecimento aos meus mestres de música, o saudoso João Torre do Vale, o meu caro amigo, Professor Rui David Gonçalves, o Professor Paulo Sérgio, no piano, no violino (jazz) Eva Slongo e Marie Leloup (à distância), e muito em particular à minha estimada Professora de Violoncelo, Katy Aberg, e ao meu muito caro Arménio de Melo, das mãos de oiro da Guitarra portuguesa.(...)