Todos os anos, a cidade de Guimarães sai à rua em peso para rufar caixas e castigar bombos. Todos os vimaranenses sabem o que são as Nicolinas. Conhecem-lhes o ritmo desde o berço. João Zamith regressa à cidade para nos contar a história de Júlia, uma jovem que vê a sua vida virada do avesso quando o corpo do seu ex-namorado aparece e o seu pai, Álvaro Pinto, é o principal suspeito.
As notícias, os grupos de WhatsApp e os directos em stream repetem as certezas sobre o que se passou. Surge um padrão mais antigo e sombrio: várias mortes inexplicáveis ligadas às noites do Pinheiro. O inspetor Sousa começa a desconfiar de que a verdade é mais complicada.
Entre a pressão mediática, o aproveitamento político e as memórias fragmentadas de um morto, o novo romance de João Zamith combina elementos de folk horror, policial tradicional e thriller sobrenatural, arrastando os leitores de volta às sombras e à escuridão de um Norte que reclama como voz do terror na literatura portuguesa.
E é então que compreendem que a memória é apenas um mapa desenhado à mão e que quando o passado regressa, fá-lo sempre com um preço. Porque nunca conhecemos verdadeiramente aqueles que amamos. Nem os segredos que a cidade guarda na sombra.