"Já passava das duas da madrugada. Vasco Carvalhadas deixa mais um dia de trabalho para trás. Pela estrada pisada pelos cansados pneus do seu carro, deixa os quilómetros, assim como as povoações e alguns pensamentos passarem a fazer parte da paisagem.
Já no descampado dos eucaliptos, entra no barraco de pedra e fecha todas as fechaduras da velha porta pesada de ferro. Vai até ao centro da sala, com a luz debaixo do braço direito. Verifica o estado de humidade de um dos cobertores que mantinha a proteger o seu "hóspede". Coloca-se a olhá-lo de cima a baixo. Sobe o seu pesado braço no ar e com toda a sua força dá um enorme estalo no rosto sujo e ensanguentado de Milro, ordenando-lhe:
- Hora de acordar, meu cabrão."