Quando os Ciprestes Davam Laranjas

de Jorge Romão 

Bertrand.pt - Quando os Ciprestes Davam Laranjas
Opinião dos leitores
(2)
Editor: Chiado Books
Edição: fevereiro de 2016
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Não é um romance. Não é um ensaio. Não é uma biografia. Não é um livro de contos. Quando os ciprestes davam laranjas, é um conjunto de textos, num registo directo e incisivo, como um bisturi, de cujos recortes ressalta o sangue da ironia e do afecto. Neles, o autor relata memórias da sua infância e juventude, que entrelaça com pedaços de vida das gentes de uma aldeia, nas décadas de 60 e 70, do século passado. Através de um discurso narrativo, quase cinematográfico, despretensioso e cru, ora humorístico ora sofredor (sem nunca resvalar para a pieguice), consegue transportar-nos para aquele tempo, e trazer à nossa presença o pulsar da vida, os cheiros da terra molhada, o cantar dos galos, o chilrear das andorinhas ou o vermelho das papoilas. Há textos que sangram e outros que provocam o riso. Nos mais intimistas, o autor desnuda-se perante o leitor e desvenda dores e alegrias que o marcaram. A partir de provérbios, crenças e costumes, que pontua com reflexões sobre Deus, o mundo ou a morte, dá-nos um retrato antropológico e social da época, em que se debruça sobre o papel do Estado Novo, da Igreja e da mulher.
Há Histórias de encantar e de desencantar. Uma galinha que se suicida por amor, e outras que fazem greve. Bruxas, lobisomens e cobras aladas. Superstições, céus de amores-perfeitos e uma burra esfomeada. Enxadas, moinhos, carroças e estendais de ceroulas. Minas de água fresca e restolhos de trigo. Procissões, um pato que vai à missa, velórios, bandas a tocar e foguetes no ar. E há pessoas. Pessoas de carne e osso. No final, fica a verve, o sangue, os afectos e a terra. O pulsar da vida, tal como ela é.
"Nos anos 60 já não se faziam tantos filhos como nas décadas anteriores, em que casal que não tivesse pelo menos meia dúzia deles é porque algo estava a falhar. Ou o badalo deixara de funcionar, ou a fonte tinha secado."
"Tal como ‘As pombinhas da Catrina, que andam de mão em mão’, eu andava de mãe em mãe. Mudava de mãe como quem mudava de bibe. Aos dois anos de idade, tinha mais facilidade em distinguir os naipes do baralho de cartas do que as mães."

  • Delicioso
    Graça Sá Branco Deveza | 17-06-2016

    Extraordinariamente surpreendente. Deliciosamente indescritível. Aviso: Ler devagarinho para prolongar o deleite e com cuidado porque provoca dependência. Parabéns ao escritor e desejo que continue....E... no que concerne continuar a escrever espero que o "badalo não deixe de funcionar e tampouco que a fonte seque"

  • Um livro que nos faz relembrar as histórias dos nossos pais
    Débora Rodrigues | 28-04-2016

    O meu comentário é suspeito... Cresci no Painho e por muito que queira ou não, há coisas que não conseguimos separar de nós sendo uma delas as nossas raízes... Mas sendo eu uma pessoa não muito influenciável penso que a minha opinião sobre este livro será válida, visto que foi o seu conteúdo e a escrita que me agarraram... É um livro de leitura fácil... que serve para descontrair num dia de cansaço sem nos perdermos... de facto a certa altura parece que já estou a vivenciar a vida do autor... que desligo um pouco e consigo entrar realmente na história deixando espaço a minha imaginação para o fazer (digamos que a descrição é q.b. para nos "agarrar" não sendo excessiva para nos maçar!) É um livro que cruza gerações... afinal não falamos de uma época tão longínqua (mas como era possível as pessoas viverem sem televisão em casa? - digo eu nos meus 30 anos imagino os mais jovens o que se questionam). No entanto responde-me a certas perguntas de infância como a maneira como as pessoas se divertiam "sem nada" ou como era possível ser feliz... É como pegar em todas as histórias dos nossos pais e finalmente ligá-las e ouvi-las mais uma vez... É como perceber que os mais velhos tem a sua razão em muita coisa que dizem... Porque para eles fazia sentido... É como ouvir uma história, que nos faz sentido, que poderia ser contada por qualquer um dos pais ou avós e senti-la como nossa... como quando era pequena e essas mesmas histórias me faziam vibrar... Obrigado ao autor por me fazer voltar a minha infância e ganhar um novo entendimento das minhas raízes...

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Quando os Ciprestes Davam Laranjas
ISBN:
9789895162543
Ano de edição:
02-2016
Editor:
Chiado Books
Idioma:
Português
Dimensões:
139 x 222 x 21 mm
Páginas:
284
Tipo de Produto:
Livro
Coleção:
Bíos
Classificação Temática:
EAN:
9789895162543

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