Saber rir é difícil, mas saber sorrir é mais difícil ainda. Um sorriso imortalizou uma tela, Gioconda. Um sorriso definiu um temperamento, Voltaire. Acutilante umas vezes, carinhoso outras, enlouquecedor, cheio de promessas quando nos fala de amor. O sorriso é o filtro mágico da expressão, da sedução, do encanto, sobretudo quando o iluminam uns lábios vermelhos e frescos de mulher.Sorrir é fazer debruçar-se a alma dos lábios, com tudo o que ela tem de misterioso e de divino. Sorrir é sublinhar de luz uma intenção. Há sorrisos de crianças que são clarões de luar. Há sorrisos de mulher que lembram madrugadas de oiro. Há sorrisos esfíngicos e parados que são portas abertas para o Mistério de certas psicologias.Na sua linguagem muda, o sorriso diz tudo o que as circunstâncias obrigam a calar. Quantas vezes o melhor comentário de um facto não é um sorriso a tempo? Sarcástico, piedoso, terno, o sorriso é sempre o espírito que se revela aladamente, subtilmente, com um perfume.