Como é que os portugueses e, por extensão, os outros povos europeus lidaram com o fim dos seus impérios coloniais, depois de ao longo de séculos terem construído uma grande parte da sua riqueza, do seu poder e das suas identidades com base na expansão imperial e na conquista e exploração de territórios além-mar?
O livro Portugal e os Retornados. Descolonização, Migração e Nação Pós-Imperial aborda os processos e as consequências da descolonização das novas nações que conquistavam a independência através das histórias de mais de meio milhão de colonos portugueses que «retornaram» de Angola, de Moçambique e de outras partes do império português em decadência, para o seu país de origem e de cidadania, onde se viviam tempos conturbados após a Revolução dos Cravos de abril de 1974.
Observando, pela primeira vez e de forma abrangente, a história e a memória das pessoas retornadas, este livro contribui para um aprofundamento dos debates em torno do racismo colonial e das suas continuidades até à atualidade.
Analisa também as migrações, a condição de refugiado e o processo de integração na sociedade portuguesa dos anos 1970 e 1980, expondo um paradoxo aparente: o fim do império e as migrações de retorno por ele causadas inserem-se numa história global do século XX e são moldados por dinâmicas transnacionais. Mas não contribuíram, contudo, para destronar a supremacia do Estado-nação, acabando, pelo contrário, por reforçá-la.