Poesia e pensamento nem sempre caminharam a par. Talvez tenha havido um tempo, nos confins da memória, em que a poesia teve precedência. Mas não foi assim na nossa história mais recente. Assumido como representação do mundo, o pensamento tende a subalternizar a poesia, relegando-a para a qualidade de vivência superficial, para não dizer ornamental, da vida quotidiana.
É certo, porém, que a representação, mesmo necessária, tem ficado mais modesta e, por isso, a poesia chega ao seu lugar de primeira manifestação do real, e forma fundante da habitação do mundo. Os poetas que enchem este livro de realidade e motivam a reflexão literária, filosófica e teológica estão aí para nos dar a viver um conhecimento feito de afeto e de lucidez, que caminham em simultâneo e em paz.