Thomas Piketty é um observador atento dos aspetos económicos
da nossa sociedade. Nada escapa à curiosidade nem à sagacidade
deste professor universitário, que é não só um dos investigadores
franceses mais reputados internacionalmente, mas também um
crítico temido da cena política francesa.
Seja a analisar os efeitos da crise financeira mundial ou a reforma
do sistema de aposentações, a interpretar as opções
governamentais ou os programas políticos, a dissecar os mistérios
do imposto sobre a emissão de carbono ou as declarações de
impostos de Liliane Bettencourt, existe sempre a certeza de que
Thomas Piketty nunca se refugia no «politicamente correto».
Considerado um dos melhores economistas da sua geração — na
qual a concorrência é feroz — Thomas Piketty é, acima de tudo,
um antidogmático enérgico, que tanto critica severamente a doxa
liberal sobre a redução dos impostos, como censura os
conformismos do seu quadrante político, a esquerda, que ao
insistir em defender os seus princípios permite que a realidade lhe
fuja debaixo dos pés.
Defensor obstinado da redistribuição da riqueza, Thomas Piketty
faz parte do grupo daqueles que atualmente fornecem as
ferramentas para uma redefinição do projeto social-democrata.