Estamos perante uma obra que vem
trazer para o centro das discussões a velha
questão do relacionamento entre ciência e
religião. Depois de Copérnico e Galileu,
entre tantas outras vítimas, Darwin tem sido
sempre um dos alvos preferidos dos extremistas
religiosos porque viram nele uma
perigosa ameaça à sua fé.
Embora as teorias evolucionistas pré-
-darwinianas tenham sido sempre suspeitas
aos olhos dos espíritos conservadores, é
indiscutível que Darwin passou a ser -
desde a publicação de A Origem das Espécies
- o alvo preferencial do fundamentalismo
cristão, quer católico quer anglicano.
Mas foi nos Estados Unidos, e na segunda
metade do século xx, que a já tradicional
atitude antidarwinista assumiu as
suas manifestações mais virulentas. A título
de exemplo, bastará referir o que aconteceu
no estado do Arcansas em 1981,
aquando da polémica em torno do criacionismo
como matéria de ensino e de estudo.