Passam as ruas por mim
O chão desliza assertivo,
Não quero da noite o fim
Pois apenas nela vivo.
Rumo à alma ao subir
Neste frémito absorto,
Na inércia de existir
Desço e rumo ao teu corpo.
Ficam-me as vestes folgadas
Metade de mim se ausentou,
Perco-me em noites passadas
Onde o futuro parou.
Avenida para mim é quelha
Alameda beco isolado...
Olho o pecado de esguelha
E fujo-lhe angustiado.
Errante, meu ser urbano
Agoniza ao ver-se assim,
Vive triste vive insano
Passando as ruas por mim.