Os Manuscritos de Aspern

de Henry James 

Bertrand.pt - Os Manuscritos de Aspern
Editor: Sistema Solar
Edição: julho de 2012
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Henry James [1843-1916] escreveu ao contrário dos êxitos literários do seu tempo. Numa época de leitores a preferirem histórias com surpresas de percurso, pôs um grande talento de escritor ao serviço de uma corrente calma, discreta e a espalhar-se num extenso número de páginas, entravada por análises psicológicas de personagens distanciadas, na cultura e nos confortos, do homem mais comum nesse final do século XIX. E se o século seguinte o compreendeu como bom exemplo do construtor da obra de arte literária no mais nobre sentido que a expressão pode sugerir, a solicitar do leitor uma sensibilidade idêntica à exigida na apreciação de uma sonata ou de um quadro, durante a sua vida só teve êxitos pouco generosos e reticentes. […] Dir-se-á, porém, que este Henry James sofredor recebia com desdém o entusiasmo alheio pelas suas ficções, e via-o como resultado da cedência do texto ao que era um mais trivial gosto do público. Sentimo-lo encolher os ombros aos elogios que valorizavam The Turn of the Screw, e bem podia Oscar Wilde designá-lo como surpresa «enorme». Numa carta a H.G. Wells acusou o seu texto de «irresponsável» e de apenas ser «um pedaço de engenhosidade pura e simples». E quando publicou Os Manuscritos de Aspern, uma das suas ficções curtas mais brilhantes (para o seu biógrafo Leon Edel, a melhor de quantas escreveu), aos acidentais entusiasmos contrapôs esta água fria: «não passa de uma anedota»; verdade apenas de fundo porque Os Manuscritos de Aspern repensam e dão dimensões nostálgicas, amargas e perversas ao caso verídico que determinou a sua génese e em conversas de salão pôde ser contado com os picantes de uma anedota.

Críticas de imprensa
«James mostra-se absolutamente exemplar na forma como constrói o mecanismo da sua narrativa. O ritmo da prosa, a perfeição das frases, o desenho das personagens, a densidade do que é dito (e sobretudo do que não é dito, do que paira nas entrelinhas, implícito), nada fica aquém ou além da justa medida. Quanto a Veneza, nunca se resume a um pano de fundo. O narrador compara-a a uma esplêndida “habitação familiar, doméstica e sonora”, lugar “onde as vozes soam como nos corredores de uma casa” e “as criaturas humanas circulam a pé como se contornassem os ângulos de uma mobília”. Veneza é como os seus palácios lúgubres mas também como um teatro: “Se nos sentarmos numa gôndola, os passeios que em determinados pontos ladeiam os canais assumem ao nosso olhar a importância de um palco (…) porque as figuras venezianas, que andam de um lado para o outro contra o cenário muito gasto das suas pequenas casas de comédia, surgem como membros de um infindável grupo dramático.” Que esta peça de câmara termine em tom de tragédia menor, tão exacta quanto irónica, não espantará ninguém.»
José Mário Silva, Expresso

Os Manuscritos de Aspern
ISBN:
9789898566072
Ano de edição:
07-2012
Editor:
Sistema Solar
Idioma:
Português
Dimensões:
147 x 203 x 8 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
160
Tipo de Produto:
Livro
Classificação Temática:
EAN:
9789898566072

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