Esta edição crítica d’Os Lusíadas resgata uma dívida maior que as culturas em língua portuguesa e os Estudos Literários desde há muito contraíram para com a obra e o legado de Luís de Camões. a fixação do texto assenta na recensão e colação de todos os exemplares hoje conhecidos da edição prínceps de 1572, bem como nos dados remanescentes da tradição manuscrita, demonstrando que as variantes Ee e E correspondem a diferentes estados de uma única edição, cada qual com valor ecdótico próprio.
Atenta às exigências do género épico e ao contexto linguístico quinhentista, esta edição respeita a historicidade da língua, valorizando tanto o programa humanista de relatinização como a persistência de usos tradicionais e orais, assim como variantes fonográficas e ritmos versificatórios. Evita ainda a modernização excessiva da pontuação, em consonância com a natureza poética do texto. De carácter assumidamente instrutivo, inclui um vasto conjunto de notas retórico-literárias, mitológicas, históricas e filológicas, indispensáveis a uma leitura rigorosa e plenamente informada.