Ajustes directos, contratos swap, PPP (nos
sectores da saúde, educação, águas, resíduos,
vias rodoviárias e ferroviárias, etc.),
privatizações de empresas públicas, concessões
e subconcessões, contratos de exploração a
meio século, auto-estradas com portagens
virtuais, rendas excessivas no sector
energético, mais-valias decorrentes da venda
de gás natural não partilhadas com os
consumidores, aumentos das taxas nos
aeroportos nacionais, direitos adquiridos sobre
pontes e aeroportos que ainda não foram
construídos, indemnizações devidas por causa
de projectos adiados, ou mudanças de sede
fiscal para a Holanda ou para a Zona Franca da
Madeira... Quase todos estes contratos,
negócios e direitos adquiridos foram
assessorados, intermediados, aconselhados,
estruturados, facilitados pelas principais
sociedades de advogados que operam em
Portugal. As que mais facturam. Quer do lado
do Estado, em representação do interesse
público, quer do lado do sector privado,
defendendo os interesses empresariais dos
respectivos clientes. Ou em ambos os lados,
muitas vezes em simultâneo, por entre indícios
de conflitos de interesses. O jornalista Gustavo
Sampaio, autor do bestseller Os Privilegiados,
apresenta uma investigação jornalística
rigorosa e inédita que, pela primeira vez, revela
e sistematiza as listas de clientes das maiores
sociedades de advogados, as interligações
políticas e empresariais (desde o recrutamento
de ex-políticos ou políticos no activo até à
acumulação de cargos de administração em
grandes empresas), as participações no âmbito
da produção legislativa ou da actividade
regulatória, entre outros elementos.
Este trabalho de investigação, a compilação de
factos e o cruzamento de dados compõem um
retrato impressionante sobre a triangulação de
interesses entre o poder político, o mundo
empresarial e os consórcios de advocacia,
desafiando o leitor através de um conjunto de
questões, nomeadamente:
- As sociedades de advogados são uma peça
essencial no mecanismo de aparente captura
do poder político pelo poder económico e
financeiro?
- Além de assessorarem e facilitarem, as
sociedades de advogados também acabam por
- de algum modo - incitar, promover,
influenciar ou pressionar para que todos estes
contratos e negócios se concretizem?
- Será legítimo - ou recomendável - que as
mesmas sociedades de advogados participem
tanto na negociação como na renegociação, ou
seja, tanto na blindagem como na posterior
desblindagem desses contratos e negócios, ora
do lado do Estado ora do lado do sector
privado?