Esta obra - incomum no seu género, entre nós, por se tratar de uma sucessão de reflexões politemáticas, independentes entre si - teve cinco edições. Elogiada por Claparède e João Chagas, (…) Todas as edições têm, em comum, uma psicogenética das condutas sensorimotrizes, concretas, intelectuais e morais das crianças e reflexões de índole psicopedagógica. Mas há diferenças assinaláveis entre as diferentes edições. A edição que foi publicada na revista O Instituto (Notas d´um pae. As creanças, 1896-1903) além de focar aquele denominador comum, alarga os seus pólos de interesse ao cientista, à "pessoa" humana e ao "cidadão", discorrendo, com agudeza, sobre a epistemologia das ciências naturais, sublinha a importância paradigmática da moral social (…) é completamente hostil às ditaduras, apresenta um projecto próprio de democracia liberal e socialista, uma visão crítica - mas também construtiva - do ensino.