O "perigoso laboratório" de imagens que Pablo Bernasconi reconhece encerrar na sua "cabeça/estúdio"
merece uma análise profunda por parte de algum estudioso da arte e da palavra. A KALANDRAKA quis
penetrar nessa tão sugestiva oficina criativa para descobrir uma pista para a transbordante imaginação das
suas obras. Já o provou como ilustrador do livro "27 histórias para comer a sopa", de Ursula Wölfel, e com
"O zoo do Joaquim" mostra também todo o seu talento.
"Gosto das mutações, das mudanças radicais de contexto, das metáforas por união de referentes", explica
Bernasconi. O texto deste conto rimado poderia ser a história de qualquer criança ávida de curiosidade,
transformada em inventor dos seus própios artefactos, feitos com os objectos mais inverosímeis: um galo-
despertador, um rato-telefone ou um pássaro-espanador são alguns dos seres a que dá vida.
"Gosto de produzir discursos e ideias a partir da animação do objecto inanimado"... Bernasconi confere
novos usos e significados a objectos que não têm nada a ver com o resultado das suas insólitas criações.
"Gosto dos contrastes, de explorar as relações entre formas e conceitos, entre texturas e cores", acrescenta
o autor que, além disso, é muito perfeccionista com o seu trabalho.
Começa por fazer esquissos de toda a obra e posteriormente compila "quase intuitivamente" os elementos
necessários para dar forma às suas ideias: "tiro fotografias, parto coisas, martelo aparelhagens, queimo
papéis…", precisa Bernasconi. O resultado é um universo
único para o qual os jovens leitores queiram viajar uma e
outra vez através das páginas deste livro.