No ano de 1840 a navegação à vela está no seu apogeu e o grande clipper - suprassumo de três milénios de construção naval - é dono dos oceanos. Os veleiros, catedrais de pano branco, mastros espetados contra o sol do Atlântico, navegando ao sabor dos alíseos, dobrando o Horn contra ventos e correntes, medindo forças com as vagas gigantes, rindo-se dos icebergues, são os Senhores do mar.
É então que o desenvolvimento do vapor os vai confrontar com outros navios, propulsionados por rodas de pás e máquinas de fogo.
O mesmo fogo que desde sempre assombrou os marinheiros, sobre barcos de madeira com cordoamento oleado. Poeira de carvão, sujidade dos lubrificantes, calor intolerável, falta de ar e de liberdade. Esses navios, dizem os dos veleiros, são da marinha do diabo.
É uma história fabulosa que nos conta aqui Jean-Jacques Antier. Um combate de gigantes, onde se defrontam o steamer-ship La Rose de Honfleur e o mais rápido dos veleiros de longo curso, La Jolie Dame, entre o Havre e Nova Iorque.
Uma corrida alucinante, pontuada de dramas e de tempestades, um desafio insensato para o qual os comandantes rivais estão prontos a tudo sacrificar.
Carregados de emigrantes, os dois navios vão jogar uma partida fantástica cuja parada é capital.
O amor, a morte, a paixão atravessam esta extraordinária aventura humana, à medida dos que a inspiraram: Os Senhores do Mar.