A religião é o aspecto central de qualquer civilização. Durante 2000 mil
anos, o modo como o homem ocidental pensou sobre Deus foi quase
totalmente moldado pela Igreja Católica.
O pensamento económico, o direito internacional, a ciência, a vida
universitária, as obras de caridade, as ideias religiosas, a arte e a
moralidade - que formam, no seu conjunto, as bases de uma
civilização; todas elas emergiram, no Ocidente, do coração da Igreja
Católica.Mas a amnésia histórica que o Ocidente impôs a si mesmo não
tem o poder de desfazer o passado, nem de eliminar o papel central
que a Igreja desempenhou na construção da civilização ocidental.«Não
sou católica», escrevia Simone Weil, filósofa francesa, «mas considero
que as teses cristãs, que têm as suas raízes no pensamento grego e que,
ao longo dos séculos, alimentaram a nossa civilização europeia, são a
uma realidade a que uma pessoa não pode renunciar sem com isso se
degradar.» Esta é a lição que a civilização ocidental está hoje a
aprender da pior maneira, à medida que se vai distanciando, mais e
mais, dos seus fundamentos católicos.