Rui é chamado à direção da empresa financeira onde trabalha. Regina, a CEO, comunica-lhe que será despedido por desempenho insuficiente. Contudo, oferece-lhe uma última oportunidade: uma partida de xadrez que determinará o seu destino. Se Rui vencer, mantém o emprego, mas outro colega será dispensado; se perder, sai sem compensação; se empatar, perde o posto, mas com direito a subsídio. A peça evoca a célebre partida entre o cavaleiro e a morte em O sétimo selo (1957), de Ingmar Bergman, para encenar o confronto entre duas visões do mundo: Regina, que acredita no mérito e na ascensão pelo trabalho, e Rui, defensor de ideais de justiça social.
Entre lances e provocações emergem questões sobre desigualdade, mérito e a funcionalidade social da pobreza, ecoando as reflexões críticas do sociólogo Herbert Gans. À medida que o jogo avança, as certezas esbatem-se. No tabuleiro de casas pretas e brancas instala-se o cinzento: posições ambíguas, lances que podem ser formas de resistência. No final, permanece a pergunta que cada espectador terá de enfrentar: quem, afinal, ganha esta partida?