Quando me falam em sinopse, ou me pedem para escrever uma, lembro-me sempre que não li o Frei Luís de Sousa de Almeida Garret, li um resumo com apontamentos de uma edição da Europa América, obviamente feita a pensar em calões como eu. Quase sem saber ler, acabei por me tornar num leitor bem-sucedido, e sei que dificilmente um resumo, um apontamento, ou mesmo um filme consegue atingir os patamares intelectuais, racionais e emocionais que um bom livro pode propor. Almeida Garret foi dos melhores, e o Frei Luís de Sousa uma obra incontornável, uma referência até hoje. Apesar disso, nunca o li. Nem tenho planos para o ler, nem curiosidade. Sendo que já devo ter lido coisas infinitamente piores, ou de gosto duvidoso.
A sinopse matou-me o Frei Luís de Sousa. É claro que pode haver grande debate em que o prazer do livro é descobrir como se conta, como se faz, como se chega e não onde se chega, pelo que podem haver livros e livros, e sinopses e sinopses. Este é por opção um livro dessinopsesado.
Dá para deduzir que há um Piano de Cauda que vai a nado do Pico ao Faial. Para além disto, posso acrescentar que o Piano não vai sozinho, há um serviço de chá da Vista Alegre e outros pertences de uma família que se muda para outra ilha… a nado.
Mas isto, isto quase nada tem a ver com a história que eu proponho contar.