A generalidade da teoria social europeia tem olhado para o Oriente como um mundo "estático" e "retrógrado", um universo com instituições antiquadas e incapaz de se modernizar.
Eram essas as concepções de Marx e de Weber, desenvolvidas em plena idade de ouro do capitalismo e mais tarde propagadas pelos doutrinadores do "milagre europeu" ou da "singularidade europeia".
Jack Goody mostra-nos como o eurocentrismo tem ecoado nessas análises, começando desde logo por demonstrar a ideia de uma racionalidade ocidental única e exclusiva, a qual terá permitido que "nós" (o Ocidente), e não "eles" (o Oriente), tenhamos tido acesso às transformações da época contemporânea.
O autor revisita, por exemplo, a ideia de uma contabilidade "racional" - considerada pela história económica e social como um traço intrínseco ao capitalismo - defendendo que pouco separa a história do Oriente e do Ocidente em termos de actividade comercial. Outros factores vulgarmente vistos como inibidores do desenvolvimento do Oriente, como o papel da família e as formas de trabalho, são também objecto de uma crítica sistemática e consistente.
O Oriente no Ocidente marca assim uma mudança fundamental na nossa visão global sobre a história das sociedades orientais e ocidentais.