Sem projeto nem intenção literária, os textos surgem por acaso, num momento de surpresa perante aquilo que a própria caneta revelava. a escrita torna-se espelho e revelação de um outro eu, libertado por estímulos simples — uma fotografia, uma música, uma pessoa — capazes de soltar um pássaro de palavras até então engaiolado.
Os textos acumulam-se sem destino definido, feitos de memórias antigas de viagens pelo Alentejo profundo, de imagens guardadas e de impulsos poéticos que emergem em estados de maior sensibilidade.
Muitas vezes nascem no silêncio das insónias, quando uma ideia insiste em não desaparecer e exige forma imediata numa página em branco. Assim se constrói este conjunto: fragmentos de memória, emoção e observação, escritos como quem fixa o efémero antes que se perca, simplesmente porque tinha de ser escrito.