A parteira não ouvia no grito do bebé nada de especial e, vendo que a jovem
mãe falava como que em sonho, pelos vistos a delirar, afastou-se dela e pôs-se
a tratar da criança. A jovem mãe calou-se, e apenas de vez em quando um
penoso sofrimento, incapaz de prorromper em forma de movimento ou palavra,
espremia dos seus olhos as lágrimas em bágoas. Corriam silenciosamente
através das espessas pestanas pelas faces brancas como mármore. Talvez o
coração da mãe sentisse que, juntamente com o recém-nascido, viera ao mundo
uma desgraça negra e desesperada que pendia por cima do berço para
acompanhar a nova vida até ao túmulo. De resto, talvez fosse
mesmo delírio. Fosse como fosse, a criança nasceu cega.