A publicação da obra completa de António Osório (n. 1933) prossegue agora com a edição num só volume de "O Lugar do Amor"(81) e "Décima Aurora"(82). O seu primeiro livro, "A Raiz Afectuosa" seria publicado quando o autor completou 39 anos e o seu trabalho tem sido, a partir daí, saudado pelos melhores críticos, como Eduardo Lourenço, Joaquim Manuel Magalhães ou Eugénio Lisboa, antologiado e traduzido em várias línguas.
O presente volume, com um desenho do pintor Mário Botas, de quem era amigo, na capa, mantém o prefácio de Joaquim Manuel Magalhães a "Décima Aurora", e uma "entrevista apócrifa" do autor, e tem uma extensa bibiografia activa e passiva.
Uma poesia feita de harmonia, prazer, esperança, "a ilusão de que me purifico vivendo".
"(António Osório é) um grande poeta e um dos maiores da segunda metade do nosso século XX (e já do século XI)..."
Rodrigues da Silva, JL, 4/4/2001
"A sua melhor poesia flui sempre entre os afectos - sobretudo os familiares - e a experiência amorosa; a saudação dos lampejos de felicidade ou os "instants de bonheur", a que se referiu Montherlant, e o conhecimento da morte; o concretismo das pequenas e transparentes coisas e os ofícios na sua dignidade; a revelação maravilhada perante a diversidade florestal, dos dilúvios originais à pequena planta, e os "prenhes de desgraça"...
"(...) Em cada momento, na poesia de António Osório, o Homem conquista o seu lugar no universo em busca do reencontro com a s suas origens. Mesmo nos tempos dolorosos da solidão nascente, a palavra nasce na sua formação lenta e contínua. Como se esta anunciasse uma vontade de cor, um sinal de que a imensidão está em nós. (...) Poesia não antecipadora da tristeza e exaltante num presente histórico que deixa escapar o essencial por entre os dedos, arriscando por meio das "fendas luminosas" a gratidão de quem está na terra "como um velho lobo-do-mar"."
Ana Marques Gastão, DNA, 24/3/2001