Fomos já encontrados por dias estranhos. Encontram-nos, descobrem-nos, destruir-nos-ão. Também olhos estranhos nos vigiam. Deixam-nos sós, apagam-nos as memórias e refazem-nas. Nós, contrafeitos a contragosto, deleitamo-nos.
As pessoas tornam-se estranhas porque são estranhas. As ruas tornam-se obscuras e já ninguém se lembra dos nomes, nem estranha. Da chuva já se perdeu o cheiro a terra molhada. Já não se vê o Sol, nem a Lua, nem as sombras das árvores, nem a brisa. Ninguém estranha.
Luís M. Vicente